28 de novembro de 2010


Polícia finca bandeira do Brasil no Complexo do Alemão

28 de novembro de 2010 | 16h 58

AE - Agência Estado

          A polícia hasteou uma bandeira do Brasil e outra do Estado do Rio de Janeiro no início da tarde de hoje no ponto mais alto do Morro do Alemão, na zona norte da capital fluminense. Segundo a Agência Brasil, o delegado Ronaldo Oliveira, chefe das delegacias especializadas, afirmou que o hasteamento das bandeiras significa a posse oficial do terreno pelo Poder Público. As bandeiras foram hasteadas na torre do teleférico que está sendo construído para ligar os diversos morros da região.
          A polícia começou a subir no Complexo do Alemão pouco antes das 8 horas da manhã de hoje. Pelo menos 100 homens de grupos operacionais da Polícia Civil, do Batalhão de Operações Policiais Especiais (Bope) e da Polícia Federal (PF) revistam casas no conjunto de favelas. A expectativa é que eles encontrem pelo menos parte dos traficantes que poderiam utilizar a região como rota de fuga.
          Os agentes têm o apoio de mais de 50 homens do Exército e cinco veículos blindados, sendo um tanque e outros quatro veículos de transporte com metralhadora. "Todas as casas serão revistadas. Beco por beco, buraco por buraco", afirmou o comandante geral da Polícia Militar (PM), Mario Sergio Duarte.
          O relações públicas do Bope, capital Ivan Blaz, confirmou que continuam sendo feitas buscas aos criminosos, inclusive na rede de esgotos da região, por onde os traficantes poderiam estar fugindo. Com informações da Agência Brasil. 

Clube do tráfico é descoberto

          Agentes da Polinter encontraram uma espécie de clube do tráfico dentro do Complexo do Alemão, na Penha, neste domingo. A letra G estava gravada no fundo da piscina do imóvel. A inicial é do bandido Gão, chefe do comércio de entorpecentes da Favela Faz Quem Quer, em Rocha Miranda.
          Na rua Canetá, número 715, no morro da Fazendinha, os policiais localizaram uma vila com três quartos. Um dos cômodos funcionava como hotel para traficantes de outras comunidades - o local tinha várias camas e caixas de cerveja abandonadas. Em outro, os policiais encontraram um depósito de armas com duas submetralhadoras, cintos para estocar munição e coletes.
          Em um terceiro cômodo funcionava um laboratório para refino de drogas. Nos três ambientes, os agentes também encontraram animais silvestres. No fim desta vila, foi localizado um caminho para uma mata que serve de ligação entre a Vila Cruzeiro e o Alemão.
                                                                   Violência

          Os ataques tiveram início na tarde de domingo, dia 21, quando seis homens armados com fuzis abordaram três veículos por volta das 13h na Linha Vermelha, na altura da rodovia Washington Luis. Eles assaltaram os donos dos veículos e incendiaram dois destes carros, abandonando o terceiro. Enquanto fugia, o grupo atacou um carro oficial do Comando da Aeronáutica (Comaer).

          Cartas divulgadas pela imprensa na segunda-feira levantaram a hipótese de que o ataque teria sido orquestrado por líderes de facções criminosas que estão no presídio federal de Catanduvas, no Paraná. O governo do Rio afirmou que há informações dos serviços de inteligência que levam a crer no plano de ataque, mas que não há nada confirmado.
          Na terça, todo efetivo policial do Rio foi colocado nas ruas para combater os ataques e foi pedido o apoio da Polícia Rodoviária Federal (PRF) para fiscalizar as estradas. Ao longo da semana, Marinha, Exército e Polícia Federal passaram a integrar as forças de segurança para combater a onda de violência.
          Desde o início dos ataques, o governo do Estado transferiu 18 presidiários acusados de liderar a onda de ataques para o Presídio Federal de Catanduvas, no Paraná. Os traficantes Marcinho VP, Elias Maluco e mais onze presidiários que estavam na penitenciária de Catanduvas foram transferidos para o Presídio Federal de Porto Velho, em Rondônia.
          Na quinta-feira, 200 policiais do Batalhão de Operações Especiais (Bope) entraram na vila Cruzeiro, no Complexo da Penha. Muitos traficantes fugiram para o Complexo do Alemão. O sábado foi marcado pelo cerco ao Complexo do Alemão. À tarde, venceu o prazo dado pela Polícia Militar para os traficantes se entregarem. 
        Dentre os poucos que se apresentaram, está Diego Raimundo da Silva dos Santos, conhecido como Mister M, que foi convencido pela mãe e por pastores a se entregar. Na manhã de domingo, as forças efetuaram a ocupação do complexo.
          Desde o início dos ataques, pelo menos 38 pessoas morreram em confrontos no Rio de Janeiro e 181 veículos foram incendiados.

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José Maria Alves - Editor Geral